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Bebidas

Vinhos ganham força em eventos pelo Brasil e revelam novas tendências para quem aprecia bebidas especiais

Anya Valenska Por Anya Valenska 1 de setembro de 2026
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Vinhos ganham força em eventos pelo Brasil e revelam novas tendências para quem aprecia bebidas especiais
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Feiras e concursos realizados no fim de julho mostram a expansão da cultura do vinho e ampliam o espaço para rótulos brasileiros.

O mercado de vinhos vive uma sequência movimentada de eventos neste fim de julho, com concursos, feiras e experiências de degustação reunindo produtores, importadores, especialistas e consumidores. Em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, o Concurso dos Melhores Vinhos, Sucos de Uva e Espumantes chegou à 29ª edição com recorde de 487 amostras, avaliadas entre 28 e 30 de julho. Em Vitória, a Expovinhos 2026 reuniu mais de mil rótulos de 16 países nos dias 29 e 30 de julho. Já a Wine Expo BH também movimentou o setor com uma programação voltada a negócios, conhecimento e relacionamento profissional. (Prefeitura de Caxias do Sul)

Contents
Feiras e concursos realizados no fim de julho mostram a expansão da cultura do vinho e ampliam o espaço para rótulos brasileiros.Concursos de vinho mostram como a produção brasileira está ganhando diversidadeFeiras aproximam consumidores de vinhos brasileiros e importadosComo aproveitar essa nova fase do vinho para escolher melhor

Mais do que uma concentração de eventos, o movimento ajuda a responder uma dúvida importante para o consumidor: o que está mudando no mercado de vinhos e como escolher melhor entre tantas opções? A resposta passa pelo crescimento da diversidade, pela valorização da produção brasileira e pela busca por experiências que aproximem o vinho da gastronomia.

Concursos de vinho mostram como a produção brasileira está ganhando diversidade

O recorde alcançado pelo concurso de Caxias do Sul é um dos sinais mais recentes dessa transformação. A 29ª edição recebeu 487 amostras de vinhos, sucos de uva e espumantes, contra 385 no ano anterior e 324 em 2024. O crescimento não representa apenas uma quantidade maior de produtos inscritos, mas também indica que produtores e consumidores estão diante de uma oferta cada vez mais diversificada. As avaliações foram realizadas por especialistas convidados entre 28 e 30 de julho, no Centro de Eventos da Festa da Uva, reforçando a importância da competição para a vitivinicultura da Serra Gaúcha. (Prefeitura de Caxias do Sul)

Para quem compra vinho, concursos desse tipo podem funcionar como uma referência adicional, mas não devem ser interpretados como uma classificação absoluta de qualidade. Uma medalha indica que determinado rótulo se destacou dentro dos critérios e do painel de avaliadores daquele concurso, enquanto a escolha ideal depende também do estilo preferido, da ocasião, da comida que será servida e do orçamento disponível. O consumidor que conhece essas diferenças consegue aproveitar melhor as premiações sem transformar medalhas em único critério de compra. Também vale observar informações como variedade de uva, região, safra, método de elaboração e produtor, construindo uma escolha mais consciente.

A expansão da vitivinicultura brasileira também aparece em avaliações de alcance nacional. A Associação Brasileira de Enologia informou que a Avaliação Nacional de Vinhos — Safra 2026 recebeu 569 amostras de 84 vinícolas de dez estados e do Distrito Federal, mostrando uma produção que vai muito além dos tradicionais polos do Rio Grande do Sul. (Enologia.org.br) A presença de estados como Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo revela uma vitivinicultura com características regionais distintas. Para o apreciador, isso abre espaço para experimentar estilos diferentes sem abandonar os produtores nacionais.

Feiras aproximam consumidores de vinhos brasileiros e importados

A diversidade também ficou evidente na Expovinhos Vitória, realizada em 29 e 30 de julho, que reuniu mais de mil rótulos provenientes de 16 países. O evento apresentou tintos, brancos, espumantes e vinhos de sobremesa, conectando importadoras, distribuidoras, vinícolas, restaurantes, hotéis, comerciantes, sommeliers e consumidores. A proposta mostra como as grandes feiras deixaram de ser apenas locais para provar bebidas e passaram a funcionar como espaços de relacionamento, descoberta e educação sobre vinho. (JáCredenciei)

Para o consumidor que participa de uma degustação, a principal vantagem está na possibilidade de comparar estilos antes de decidir quais garrafas fazem sentido para levar para casa. Experimentar um mesmo tipo de uva produzido em diferentes países, por exemplo, ajuda a perceber diferenças de clima, solo, métodos de elaboração e envelhecimento. A comparação também pode evitar compras baseadas apenas em rótulos conhecidos ou preços promocionais. Em uma feira, conversar com produtores e profissionais ainda permite descobrir combinações gastronômicas e estilos que dificilmente seriam experimentados em uma compra convencional.

Outro evento que movimentou o setor foi a Wine Expo BH, realizada em Belo Horizonte nos dias 29 e 30 de julho. Com perfil voltado ao mercado profissional, a feira reuniu negócios, networking, lançamentos, masterclasses e discussões sobre tecnologia, inovação e sustentabilidade na cadeia vitivinícola. A programação envolveu varejistas, atacadistas, distribuidores, importadores, exportadores, restaurantes, hotéis e outros participantes do mercado. (Wine Expo)

Essa aproximação entre consumidores e profissionais ajuda a explicar por que o vinho está cada vez mais relacionado à experiência gastronômica. A compra deixa de ser apenas uma escolha entre garrafas e passa a envolver origem, história, produção, serviço e harmonização. Para restaurantes e lojas especializadas, isso cria oportunidades de oferecer experiências mais completas, enquanto o consumidor ganha acesso a informações que podem melhorar suas escolhas. A tendência favorece especialmente quem está começando a conhecer vinhos e ainda não sabe identificar quais estilos combinam com seu paladar.

Como aproveitar essa nova fase do vinho para escolher melhor

O calendário de eventos também mostra que o segundo semestre de 2026 será importante para quem gosta de vinho. A programação da Associação Brasileira de Enologia inclui, entre outros compromissos, a Avaliação Nacional de Vinhos — Safra 2026, marcada para outubro em Bento Gonçalves. Em São Paulo, o Vinho na Vila, que completa dez anos, terá edição nos dias 29 e 30 de agosto no Jockey Club, depois de passar por outras cidades brasileiras. (Enologia.org.br)

Para quem pretende participar de eventos, uma estratégia interessante é chegar com um objetivo definido. Em vez de tentar experimentar o maior número possível de rótulos, o consumidor pode escolher uma região, uma variedade de uva ou um estilo para conhecer melhor. Também é recomendável anotar os vinhos de que mais gostou, registrar preços e observar quais características apareceram nos rótulos preferidos. Essa prática transforma a degustação em aprendizado e facilita compras futuras, especialmente quando o consumidor percebe que gosta de determinados perfis aromáticos ou níveis de acidez e tanicidade.

Na hora da compra, entretanto, o preço não deve ser analisado isoladamente. Um vinho mais caro pode não agradar tanto quanto uma alternativa de menor valor que esteja mais alinhada ao paladar do consumidor. A ocasião também importa: um espumante pode funcionar melhor em uma celebração, enquanto determinados brancos acompanham preparações leves e tintos estruturados podem combinar com pratos mais intensos. A harmonização não precisa seguir regras rígidas, mas compreender o equilíbrio entre acidez, gordura, sal, intensidade e doçura ajuda a tornar a experiência mais agradável.

A expansão dos eventos também fortalece a cultura do consumo responsável. Degustações devem priorizar qualidade e descoberta, e não quantidade, especialmente quando envolvem bebidas alcoólicas. Para adultos que optam por consumir vinho, a recomendação é manter moderação, respeitar limites individuais e evitar completamente a direção após beber. Pessoas que possuem condições de saúde, utilizam medicamentos ou têm dúvidas específicas sobre consumo devem buscar orientação profissional de saúde.

O cenário observado no fim de julho aponta para um mercado em que o vinho brasileiro ocupa espaço crescente ao lado dos grandes produtores internacionais. Concursos com participação recorde, feiras com centenas de rótulos e eventos voltados à educação mostram que o consumidor tem hoje mais possibilidades para explorar. Para aproveitar essa diversidade, vale trocar a busca pelo “melhor vinho” pela procura pelo vinho que melhor corresponde à ocasião, ao prato e ao próprio paladar.

Essa mudança de perspectiva torna a experiência mais interessante e também mais consciente. Em vez de comprar apenas pela fama de uma região ou pela medalha estampada na garrafa, o apreciador pode conhecer produtores, comparar estilos e descobrir novas regiões brasileiras. A boa notícia para quem gosta de gastronomia é que essa expansão aumenta as possibilidades de harmonização e transforma cada garrafa em uma oportunidade de conhecer melhor a bebida e sua origem.

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