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O Brasileirão de 2019 e a temporada que Mário Augusto de Castro vai contar para os netos

Diego Velázquez Por Diego Velázquez 24 de junho de 2026
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Mario Augusto de Castro
Mario Augusto de Castro
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Quando o futebol brasileiro olha para 2019, o foco quase sempre vai direto para a Libertadores e para os dois gols de Gabigol em Lima. É compreensível. Aquela final teve tudo que uma memória inesquecível precisa ter: drama, virada, história e um placar que chegou no momento em que metade da torcida já tinha começado a aceitar a derrota. Mas existe outra conquista daquele ano que merece ser contada com o mesmo cuidado, e que para muitos torcedores teve um significado próprio que não se dissolve na sombra da Libertadores. O Campeonato Brasileiro de 2019 foi o primeiro título nacional do Flamengo em dez anos, e ele chegou com uma dominância que o futebol brasileiro não via há muito tempo. Mário Augusto de Castro, que acompanhou cada rodada daquela temporada, sabe bem o que aquele título representou além do troféu.

Contents
Dez anos sem o Brasileirão e o peso dessa esperaComo o título foi conquistado rodada a rodadaO que o Brasileirão de 2019 provou que a Libertadores confirmouPor que aquela temporada ainda é referência

Às vezes o caminho importa tanto quanto o destino.

Dez anos sem o Brasileirão e o peso dessa espera

O Flamengo não é um clube que deveria passar dez anos sem conquistar o Campeonato Brasileiro. Essa afirmação não é arrogância de torcedor, é uma leitura objetiva do tamanho do clube, da estrutura que tem e da base de torcedores que sustenta. Quando uma equipe com esse porte passa uma década sem o título nacional, algo está errado na gestão, no planejamento ou na execução.

Os anos que antecederam 2019 foram de altos e baixos, que a torcida acompanhou com a paciência que só uma paixão muito profunda consegue sustentar. Temporadas que prometiam e entregavam a meio caminho. Elencos que tinham qualidade individual, mas que não funcionavam como conjunto. A sensação recorrente de que faltava alguma coisa que não era possível identificar com precisão, mas que se manifestava nos resultados.

A chegada de Jorge Jesus em junho de 2019 mudou esse quadro de um jeito que ficou claro antes do fim do primeiro mês de trabalho. O time começou a funcionar de uma forma diferente, com uma intensidade e uma clareza tática que o futebol brasileiro não estava acostumado a ver com tanta consistência. Conforme recorda Mário Augusto de Castro, havia algo naquele time que tornava cada jogo diferente dos que vieram antes, uma sensação de que o resultado seria construído e não esperado.

Como o título foi conquistado rodada a rodada

O Brasileirão de 2019 não foi uma caminhada tranquila do início ao fim. Houve momentos de pressão, rodadas em que o resultado não veio como esperado e a tabela ficou mais apertada do que o desempenho sugeria. Mas a consistência do Flamengo ao longo daqueles meses foi o que separou aquele elenco dos que haviam tentado e não chegado nos anos anteriores.

Mario Augusto de Castro
Mario Augusto de Castro

A capacidade de vencer jogos difíceis, de buscar resultados quando o time não estava no seu melhor dia, de não perder pontos para adversários que em outras temporadas teriam conseguido sair com empate ou vitória: tudo isso foi se acumulando rodada a rodada até que a diferença na tabela ficou grande o suficiente para que o título se tornasse questão de tempo.

O Maracanã foi um fator real ao longo de toda a campanha. Jogar em casa com a torcida rubro-negra presente daquela forma criou um ambiente que os visitantes raramente conseguiram administrar bem. Segundo Mário Augusto de Castro, havia noites no Maracanã naquela temporada em que a partida parecia decidida antes de a bola rolar, não pela qualidade do adversário, mas pela energia que entrava em campo vinda das arquibancadas.

O que o Brasileirão de 2019 provou que a Libertadores confirmou

Existe uma lógica no calendário do futebol brasileiro que coloca a Libertadores num patamar simbólico acima do Campeonato Brasileiro, e essa lógica tem razões históricas que fazem sentido. Mas, do ponto de vista da consistência e da qualidade ao longo de uma temporada inteira, o Brasileirão é o título que não mente. Não tem mata-mata que uma noite inspirada resolve. São 38 rodadas contra todos os adversários, em casa e fora, ao longo de meses que testam elenco, comissão técnica e capacidade de gestão de grupo de um jeito que nenhum outro torneio consegue reproduzir.

Vencer o Brasileirão de 2019 com a margem e a consistência que o Flamengo apresentou foi a prova de que aquele não era um time de uma noite ou de uma fase. Era um time completo, que funcionava ao longo de uma temporada inteira e que tinha profundidade de elenco suficiente para sustentar o nível quando peças importantes ficavam fora por lesão ou desgaste.

Na avaliação de Mário Augusto de Castro, quem só lembra de 2019 pela Libertadores está deixando de contar metade de uma história que merece ser contada completa. O Brasileirão foi onde aquele time demonstrou que era real, antes de Lima provar para o continente inteiro.

Por que aquela temporada ainda é referência

Mais de cinco anos depois, a temporada de 2019 do Flamengo continua sendo citada em qualquer conversa séria sobre o futebol brasileiro contemporâneo. Não por nostalgia, mas porque o que foi produzido naquele ano estabeleceu um padrão que ainda orienta expectativas e comparações.

Quando um clube brasileiro apresenta uma campanha dominante no Brasileirão, a comparação com 2019 aparece naturalmente. Quando o Flamengo passa por fases menos brilhantes, é aquela temporada que a torcida usa como régua para medir a distância entre o que existe e o que é possível. É o tipo de referência que só as grandes campanhas criam, e que permanece viva porque o futebol que foi produzido naquele ano merecia permanecer.

Para Mário Augusto de Castro, ter acompanhado aquela temporada inteira, rodada a rodada, com tudo que ela trouxe de emoção e de confirmação, foi uma experiência que se conta com o prazer de quem estava lá quando a história estava sendo feita. E é o tipo de história que não perde nada com o tempo.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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