Em um movimento que promete alterar a experiência dos torcedores nos estádios de Porto Alegre, um novo projeto de lei entrou em tramitação na Câmara Municipal. A proposta, do vereador Márcio Bins Ely (PDT), visa autorizar a venda de bebidas alcoólicas em arenas esportivas durante diversos eventos, incluindo o Campeonato Brasileiro, o Campeonato Gaúcho, a Copa do Brasil, a Copa Sul-Americana e a Copa Libertadores. O projeto foi elaborado para atender uma demanda crescente por mudanças nas regras que regem o consumo de bebidas em eventos esportivos e reflete um movimento em direção a uma maior liberalização de práticas comerciais em estádios.
O projeto permite a venda de bebidas alcoólicas em bares e lanchonetes antes do início das partidas, durante o intervalo e após o término dos jogos. Também abrange áreas VIP e camarotes, onde a venda poderá ocorrer até mesmo durante as partidas. Isso representa uma grande mudança na forma como as arenas de Porto Alegre operam, já que, até agora, a venda de bebidas alcoólicas é restrita em boa parte dos estádios do Brasil, especialmente em competições mais tradicionais. A permissão para a comercialização de álcool nas arenas busca não apenas melhorar a experiência do público, mas também aumentar a receita dos clubes e da cidade.
O vereador Márcio Bins Ely argumenta que a liberação da venda de bebidas alcoólicas é uma medida de popularidade, pois há um grande clamor da população para permitir o consumo durante os eventos. Ele ressalta que, apesar de estudos apontarem a relação entre violência e torcidas organizadas, o consumo de bebidas alcoólicas não está diretamente ligado aos episódios de violência nos estádios. Em outras palavras, a proposta sugere que o problema da violência no futebol está mais relacionado a confrontos entre grupos de torcedores do que ao ato de consumir álcool durante as partidas.
A questão da segurança nos estádios sempre foi uma preocupação central quando se fala em liberar bebidas alcoólicas. O projeto de lei, por isso, estabelece responsabilidades claras para as organizações esportivas. Elas seriam responsáveis civilmente por quaisquer atos ilícitos ou brigas que aconteçam no interior do estádio, resultantes do consumo de bebidas. Se os torcedores da equipe forem envolvidos em distúrbios, a agremiação poderá ser penalizada, incluindo sanções severas como multas, suspensão de venda de bebidas e até mesmo a cassação do alvará de funcionamento em casos de reincidência.
A proposta também estabelece uma série de sanções para os casos de descumprimento. Caso as normas não sejam seguidas, as penas incluem multas que variam de R$ 404 mil a R$ 577 mil, além da proibição temporária da venda de bebidas nos locais. Isso poderia afetar diretamente a operação de estádios e a atração de grandes eventos para a cidade. Em casos mais graves, o projeto prevê a suspensão da venda e o fechamento das operações de bebidas alcoólicas por períodos que podem variar de 30 a 360 dias.
A possibilidade de comercialização de bebidas alcoólicas em estádios, portanto, não é uma decisão que deve ser tomada sem uma análise cuidadosa de seus impactos, tanto positivos quanto negativos. Para os clubes e organizadores de eventos, a medida pode ser vista como uma oportunidade de gerar mais receita, atrair mais público e melhorar a experiência do torcedor. No entanto, é essencial que sejam implementadas práticas rigorosas de segurança e controle para evitar problemas relacionados à intoxicação e distúrbios durante as partidas.
Além disso, a medida traz à tona um debate sobre a convivência entre o prazer do consumo social de bebidas alcoólicas e a necessidade de garantir um ambiente seguro e acolhedor nos estádios. A venda de bebidas alcoólicas em grandes eventos como jogos de futebol já é uma prática comum em outros países, e o Brasil, com seu grande apelo para o esporte, parece caminhar para uma regulamentação mais aberta e moderna. No entanto, é necessário encontrar um equilíbrio entre a diversão e a segurança, algo que será um desafio constante para as autoridades locais.
A aprovação desse projeto de lei em Porto Alegre é apenas o início de uma discussão mais ampla sobre o consumo de bebidas alcoólicas em eventos esportivos. Caso a medida seja bem-sucedida, ela poderá servir de modelo para outras cidades brasileiras que ainda restringem a venda de bebidas alcoólicas em seus estádios. A experiência de Porto Alegre será acompanhada de perto, com atenção para os resultados práticos no aumento da segurança e na melhoria da convivência entre torcedores, além de analisar os impactos econômicos dessa mudança. A reforma está longe de ser simples, mas pode se tornar uma parte importante da transformação que os estádios brasileiros enfrentam em busca de modernização e novos fluxos de receita.
Autor: Vasily Egorov
Fonte: Assessoria de Comunicação da Saftec Digital