Principal destino enoturístico do Brasil projeta alta ocupação hoteleira entre junho e agosto, puxada pelo fortalecimento da malha aérea gaúcha
O inverno é, disparado, a estação mais movimentada do calendário turístico do Vale dos Vinhedos, e 2026 promete confirmar essa tradição com números ainda mais expressivos. A expectativa do setor é receber mais de 120 mil visitantes na região entre junho e agosto, período que reúne o clima frio característico da Serra Gaúcha, a colheita tardia de algumas vinícolas e a temporada de eventos enogastronômicos que já viraram marca registrada do destino.
O otimismo do trade turístico não é isolado. Ele acompanha um movimento maior de recuperação do turismo no Rio Grande do Sul, impulsionado por um fator bastante concreto: o fortalecimento das conexões aéreas com o estado.
Malha aérea mais forte impulsiona a temporada
Segundo dados do setor, a projeção é de mais de 1,26 milhão de desembarques nos aeroportos gaúchos entre junho e agosto de 2026, um crescimento estimado de 18,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. O número reflete diretamente na procura pelo Vale dos Vinhedos, primeira Denominação de Origem de vinhos e espumantes do Brasil, que reúne empreendimentos turísticos e vinícolas nos municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul, segundo reportagem publicada pela Rádio Difusora 97.3 FM.
Os meios de hospedagem já sentem esse reflexo na prática. A taxa média de reservas nos finais de semana da temporada já está próxima de 61%, e a expectativa do setor é superar os 80% de ocupação ao longo de todo o inverno, segundo dados divulgados pelo próprio Vale dos Vinhedos. O movimento é resultado de uma combinação entre retomada da imagem turística do Rio Grande do Sul, depois dos eventos climáticos que afetaram o estado nos últimos anos, e o interesse internacional crescente pelo enoturismo gaúcho.
Um exemplo prático desse crescimento aparece nos números de uma das maiores cooperativas vinícolas da região, que já recebeu mais de 90 mil visitantes apenas nos primeiros cinco meses de 2026, um avanço de 10% sobre o inverno anterior. A maioria dos turistas veio de São Paulo, Santa Catarina e do Nordeste, o que mostra como o enoturismo gaúcho vem ampliando seu alcance para além do público tradicional do Sul do país, conforme relatou o Portal Aurora Cultural.
O que faz o visitante escolher o Vale dos Vinhedos no inverno
Parte da resposta está no próprio clima. Durante o inverno, as parreiras ficam com aparência mais seca, o ar fica mais frio e as pousadas da região passam a investir em lareiras e em um cardápio pensado para a estação, com pratos quentes, massas, risotos e queijos que combinam diretamente com os vinhos produzidos ali. É a época ideal para quem busca viajar sem pressa, caminhar entre os vinhedos e aproveitar experiências enogastronômicas mais completas, segundo descreve o Portal Passeios.
Além do clima, o calendário de eventos também pesa na decisão de quem planeja a viagem. Vinícolas da região vêm ampliando suas equipes e experiências para atender ao público de inverno, com degustações harmonizadas, piqueniques entre os vinhedos e passeios guiados que conectam produção, paisagem e gastronomia em um único roteiro. Para quem prefere programar a visita em outra época do ano, vale lembrar que o Festival Nacional da Uva, realizado a cada dois anos em Caxias do Sul, e a Festa da Vindima de Bento Gonçalves, também atraem grande público, mas com um perfil de experiência bem diferente do inverno.
Um destino que se consolida como referência nacional
Passado o auge da colheita e chegando à baixa temporada da vindima, o Vale dos Vinhedos encontra no inverno o momento em que sua identidade fica mais evidente: um território moldado pelo vinho, pela cultura construída ao redor dele e pelas experiências que nascem do encontro entre tradição e turismo contemporâneo. Os números da temporada de 2026 reforçam essa posição, mostrando que a região deixou de ser um destino sazonal restrito ao público gaúcho para se tornar uma referência nacional de enoturismo.
Para o setor de turismo do Rio Grande do Sul como um todo, esse desempenho também funciona como termômetro. Se a procura pelo Vale dos Vinhedos se mantiver dentro da projeção até o fim de agosto, a temporada de inverno de 2026 deve entrar para o histórico da região como uma das mais fortes dos últimos anos, consolidando o enoturismo como um dos principais vetores econômicos e culturais do estado.
Fontes consultadas:
