Queijo Maranata Ouro, produzido em Minas Gerais, repete o feito de 2025 e reforça a posição do país entre os grandes produtores de queijo artesanal das Américas.
O Brasil voltou ao topo do pódio na maior competição de queijos artesanais das Américas. Neste sábado, o Queijo Maranata Ouro, fabricado pela Rancho Maranata, em Virgínia, no Sul de Minas Gerais, conquistou o troféu Super Ouro da ExpoQueijo Brasil 2026, também conhecida como Araxá International Cheese Awards. É a segunda vez consecutiva que um queijo nacional leva o prêmio máximo do concurso, feito que só havia sido alcançado pelo país pela primeira vez em 2025. A conquista chama atenção porque o produto brasileiro superou concorrentes tradicionais, entre eles alguns dos mais consagrados produtores italianos de queijos de longa maturação, em uma disputa que reuniu quase mil amostras de 19 países da América e da Europa. Para entender o tamanho do feito, vale olhar tanto para a história do concurso quanto para o caminho percorrido pelo produtor até chegar ao título.
O que é a ExpoQueijo Brasil e por que o Super Ouro importa
A ExpoQueijo Brasil, realizada em Araxá, é considerada o principal evento do segmento queijeiro nas Américas, reunindo especialistas, compradores, produtores e imprensa especializada de diferentes países. A estrutura do concurso é montada no pátio principal e nos salões do Grande Hotel e Termas de Araxá, um patrimônio cultural e histórico de Minas Gerais que reforça o simbolismo da premiação. O Super Ouro é a categoria mais alta do concurso e funciona como um selo internacional de excelência: os queijos vencedores passam a integrar de forma permanente a galeria histórica do evento e deixam de disputar as edições seguintes, o que preserva a exclusividade da conquista e obriga os produtores a apostar em novas criações se quiserem competir novamente.
Desde a criação da ExpoQueijo Brasil, apenas três países haviam levado o Super Ouro antes de 2025. A Itália venceu as edições de 2021 e 2022, a Argentina ficou com o título em 2023 e 2024, e só em 2025 o Brasil entrou pela primeira vez nessa galeria de campeões. Repetir o feito em 2026, portanto, não é apenas uma vitória pontual: é um indício de que a produção artesanal brasileira deixou de ser exceção e passou a competir de forma consistente com os grandes nomes internacionais do setor. O queijo vencedor disputou a categoria de leite cru, casca lisa e ou lavada, com ou sem aquecimento, e maturação acima de 180 dias, uma das mais exigentes tecnicamente por depender de longos períodos de controle sanitário e de temperatura.
Como o Queijo Maranata Ouro conquistou o topo do concurso
Por trás do troféu está uma trajetória de anos de ajustes finos na produção. Henrique Lamim, à frente da Rancho Maranata, participa da ExpoQueijo Brasil desde 2022 e construiu uma sequência de evolução até alcançar o principal título da competição em 2026. O produtor tem destacado, em entrevistas concedidas após a premiação, que os bastidores mais importantes do concurso são justamente o retorno técnico recebido dos jurados, que aponta se o sal está equilibrado ou se há excesso ou falta de umidade na peça. Segundo ele, esse tipo de avaliação corrigiu boa parte do processo produtivo ao longo das últimas edições.
O queijo premiado é elaborado com leite cru recém ordenhado de um rebanho da raça Jersey, criado sob controle sanitário rigoroso na propriedade em Virgínia. Essa escolha de matéria prima concorre diretamente com produtores europeus especializados em queijos de longa maturação, historicamente favorecidos por tradições centenárias de queijaria. Lamim descreve a transformação vivida pelo negócio familiar nos últimos anos: o mesmo queijo que antes era vendido a preço reduzido no comércio local hoje chega a diferentes regiões do Brasil com valor agregado reconhecido, resultado direto do investimento em qualidade e da exposição proporcionada pelo concurso. A trajetória de Minas Gerais no evento também chama atenção, já que o estado reafirma posição de destaque no cenário internacional da queijaria, superando concorrentes tradicionais em uma disputa marcada por rigor técnico e julgamento às cegas conduzido por especialistas de diferentes países.
O que essa vitória significa para o queijo artesanal brasileiro
Mais do que uma medalha, o Super Ouro consecutivo sinaliza uma mudança de patamar na queijaria artesanal nacional. Produtores de outras regiões do país também vêm colhendo resultados relevantes em concursos recentes: a Paraíba, por exemplo, conquistou três troféus na mesma competição em 2026, mostrando que o avanço não fica restrito a Minas Gerais. Esse movimento coincide com uma agenda mais ampla de eventos dedicados ao setor, como o Prêmio Queijo Brasil, que chega à nona edição em julho, integrado ao Festival Nacional do Queijo em Blumenau, Santa Catarina, reunindo mais de 70 expositores de diferentes regiões do país.
Para quem acompanha o mercado, esses resultados costumam se refletir em oportunidades concretas: maior interesse de compradores, aumento na procura por queijos de origem certificada e fortalecimento do turismo gastronômico ligado às regiões produtoras. A tendência também aparece refletida em iniciativas institucionais, como a criação de novas subcategorias em concursos nacionais e a adoção de protocolos mais rígidos de rastreabilidade das amostras, o que aumenta a credibilidade do setor perante compradores internacionais.
Para o consumidor, a repetição do Super Ouro brasileiro é um convite direto a experimentar produtos nacionais que já competem de igual para igual com tradições queijeiras seculares. Vale lembrar que a maturação prolongada, como a exigida na categoria vencedora, costuma indicar sabores mais complexos e persistentes, ideais para harmonizações com vinhos tintos encorpados ou espumantes mais secos. Fica também um recado para o setor: investir em rastreabilidade, controle sanitário e paciência na maturação tem se mostrado o caminho mais consistente para colocar o queijo brasileiro em pé de igualdade com os grandes produtores mundiais, algo que dificilmente seria alcançado sem o amadurecimento técnico observado nos últimos anos.
Fontes consultadas: Jornal Voz Ativa e Política por Elas.
