Pesquisa aponta que mais da metade dos brasileiros pretende beber mais durante o torneio, enquanto o setor aposta em drinques prontos e opções mais leves
O calendário de 2026 chegou carregado de datas que costumam aquecer o consumo de bebidas alcoólicas no Brasil, e a Copa do Mundo é a principal delas. Segundo pesquisa da consultoria Citi, 58% dos brasileiros pretendem aumentar o consumo de álcool durante o torneio, um percentual acima da média global, que fica em 50%. O dado ajuda a explicar por que a indústria de bebidas vem se movimentando para aproveitar esse momento, ajustando portfólio, embalagens e estratégias de venda.
Mas o mercado brasileiro de bebidas alcoólicas não vive só do calendário esportivo. Outras transformações mais profundas, ligadas a saúde, praticidade e novos hábitos de consumo, também estão redesenhando o setor neste ano.
Drinque pronto ganha espaço e Minas Gerais vira polo de inovação
Uma das categorias que mais cresce dentro desse cenário é a dos chamados RTD, sigla em inglês para “pronto para beber”. Segundo análise do Portal BHB Food, esse segmento pode alcançar R$ 4,1 bilhões em faturamento nos próximos anos, impulsionado justamente pela busca por bebidas mais leves e compatíveis com diferentes momentos do dia. Marcas tradicionais do setor de destilados vêm lançando versões com menos calorias, menos açúcar e teor alcoólico reduzido para acompanhar essa mudança de comportamento.
Minas Gerais se transformou em um dos principais polos dessa inovação, especialmente depois da retração do mercado de cervejas artesanais no estado. Empresas mineiras de pequeno e médio porte encontraram no drinque pronto uma alternativa de crescimento, a exemplo de uma marca fundada em 2019 que encerrou o Carnaval de 2026 com faturamento recorde, alta de 30% em relação ao ano anterior, segundo o mesmo levantamento.
O movimento também chama atenção de analistas de mercado. Segundo Renata Cabral, analista do Citi, o Brasil ainda tem participação pequena nesse segmento quando comparado a países como Estados Unidos e Austrália, o que indica espaço considerável para crescimento nos próximos anos, à medida que o consumidor brasileiro se familiariza mais com esse tipo de produto.
Saúde, inovação e nostalgia guiam as apostas do varejo
Para o varejo supermercadista, o mercado de bebidas alcoólicas em 2026 caminha apoiado em quatro pilares principais: saúde, inovação, nostalgia e funcionalidade. A avaliação é da Associação dos Supermercados do Estado do Rio de Janeiro, que aponta um consumidor mais informado, atento à composição dos produtos e disposto a consumir com mais consciência, sem abrir mão da experiência de compra, segundo a Asserj.
Esse equilíbrio entre moderação e experiência também aparece em análises mais amplas do setor. Um levantamento do Portal Samais destaca que o mercado brasileiro deve atravessar 2026 combinando consumo moderado, inovação de portfólio e conveniência como vetores centrais, especialmente em um ano marcado por feriados prolongados e grandes eventos sociais.
Esse cenário nacional conversa com uma tendência observada em escala global. O ranking Kantar BrandZ 2026 mostra que as 20 marcas de bebidas alcoólicas mais valiosas do mundo somam US$ 194 bilhões, uma queda de 7% em relação ao ano anterior, refletindo justamente essa transformação no consumo em mercados tradicionais como Estados Unidos e Alemanha. Ainda assim, duas marcas brasileiras aparecem entre as mais valiosas do mundo, mantendo posição de destaque mesmo em um cenário global mais retraído, segundo o Portal Grandes Nomes da Propaganda.
O que esperar do setor até o fim do ano
Juntando esses movimentos, o retrato que se forma é o de um mercado em transição. De um lado, grandes eventos como a Copa do Mundo continuam funcionando como gatilho tradicional de consumo, especialmente para categorias já consolidadas como a cerveja. De outro, cresce a demanda por opções mais leves, funcionais e alinhadas a um estilo de vida mais consciente, o que abre espaço para categorias como o drinque pronto e para versões sem álcool de marcas já conhecidas do público.
Para quem acompanha o setor de bebidas no Brasil, os próximos meses devem confirmar essa convivência entre tradição e inovação, com o consumidor cada vez mais seletivo na hora de escolher o que vai para o copo, seja em uma roda de amigos assistindo a um jogo, seja em um momento mais tranquilo em casa.
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